Lá vem a Nau Catrineta... que tem muito que contar...

3.3.06

Lá Vem a Nau Catrineta (66)

Lá Vem a Nau Catrineta
Que Tem Muito Que Contar...

De rosa se fez zarpar
para uma nova demanda
é D. José quem comanda
esta Nau em alto mar
dessa odisseia sem par
de loucos navegadores
ouvi agora senhores
outra estória de pasmar

Ordenança: Meu Capitão dá licença?
D. José: Podes entrar ó Proença e a seguir fecha a porta que não me quero constipar.
Ordenança: Eu já vos ouvi espirrar, não estareis já constipado?
D. José: Tenho é um macaco agarrado bem no cimo do nariz.
Ordenança: Podeis fazer como eu fiz...
D. José: ???!!!...
Ordenança: Fui buscar uma banana, depois mostrei-a ao sacana e zás!... foi logo ali agarrado, eh,eh,eh!
D. José: Hoje estás muito engraçado, andaste nos copos hã?
Ordenança: Juro que desde a manhã ainda não bebi nada.
D. José: Vamos parar com a tourada e falar de coisas sérias, tarda nada vou de férias e quero a coisa despachada. Vai-me chamar quanto antes o Tenente Mariano.
Ordenança: Um Tenente bem bacano...
D. José: Que venha cá num instante.
Ordenança: É p'ra já meu comandante.
(...)
Ordenança: Meu Capitão dá licença? Está aqui D. Mariano a quem mandaste chamar.
D. Mariano: Não me diga que há azar!...
D. José: Ainda me vou constipar, FECHA-ME A PORTA Ó PROENÇA!... É que estas correntes de ar...
D. Mariano: Você mandou-me chamar?
D. José: Quero ouvir o que é que pensa essa bendita carola, já que é a mais brilhante tola que existe neste navio.
D. Mariano: Grato pelo elogio, podeis pois chutar a bola.
D. José: Então escuta Mariano: Anda para aí um bacano que me pretende convencer da vantagem, estás a ver?, que a energia nuclear à barca pode trazer. Como deves entender, nestas coisas sou um zero, por isso peço e espero que ajudes a resolver.
D. Mariano: Estou a ver, estou a ver... que achais à primeira vista?
D. José: Não tenho a mínima pista, não sei se é bom ou se é mau. Eu sou das engenharias, mas aquilo que é verdade é que a minha especialidade são as sanitas... e pias!
D. Mariano: O chamado saneamento...
D. José: Isso, esgotos para vazamento da caca que a gente faz.
D. Mariano: Vamos ver se sou capaz de o poder ajudar.
D. José: Que achas do nuclear, será ou não vantajoso?
D. Mariano: Hoje é bem menos perigoso do que aqui há um tempo atrás.
D. José: Mas que vantagem nos trás?
D. Mariano: Dei um dia a D. Burroso essa resposta, aliás...
D. José: Ai o olho de goráz já te havia sondado?!
D. Mariano: Uma vez que fui chamado a prestar opinião.
D. José: E que lhe disseste então?
D. Mariano: Que era assunto delicado e há que pesar muito bem se o risco é compensador, tendo ao nosso dispôr outros tipos de recursos.
D. José: Ou seja: Não sermos ursos e comprar sem pensar bem?
D. Mariano: Isso mesmo, ora aí tem! Sendo um país em que o vento pode ser aproveitado, barragens por todo o lado e sol a todo o momento...D. José: ... costa a todo o comprimento que permite aproveitar a energia constante que são as ondas do mar...D. Mariano: Vejo que está a topar muito bem o que eu lhe digo.
D. José: ... E por mais segura há o perigo do desastre nuclear
D. Mariano: Era aí que ia chegar: Embora mui mais segura a cisão ainda é hostil, lembre-se de Chernobyl, uma prova pura e dura. Ainda hoje a morte perdura na terra contaminada onde não cresce mais nada, morreu tudo nessa altura.
D. José: Bem... depois dessa pintura no quadro que apresentaste, do modo como falaste... já formei opinião...
D. Mariano: E?...
D. José: ... E não creio haver razão que justifique ordenar que a central nuclear tenha base neste chão. Enquanto existir cisão não vale a pena arriscar, talvez possamos falar entrando em cena a fusão.
D. Mariano: Portanto é NÃO Capitão?
D. José: Claro, estou elucidado. Lembro que ainda há bocado estava eu a fazer contas, e tinha-as quase prontas, confesso estava tentado, mas agora iluminado por tão brilhante carola, revivo o grito da escola:
NUCLEAR? NÃO, OBRIGADO!